Violência exportada

Não é a primeira vez que uso espaço na imprensa para citar o problema causado pelas torcidas organizadas, nos estádios de futebol. É evidente que toda vez que ocorre um tumulto qualquer, o assunto vem à baila, e em poucos dias desaparece da mídia, até que outra tragédia ocupe o lugar da anterior. Foi assim e sempre será assim, infelizmente.

Muitos sabem de minha ligação com o esporte, principalmente o futebol. E falamos tanto no esporte amador, onde há muitos anos promovemos variados eventos, como no esporte profissional, como conselheiro de uma grande agremiação. Isso significa que não somos leigos no assunto.

O recente acontecimento ocorrido na Bolívia, pela Copa Libertadores, com a morte de uma criança de quatorze anos, mostra que algo precisa ser feito, com urgência.

A postura agressiva de muitos torcedores é rotineira, independentemente do lugar em que estejam. Empurrados pela falsa paixão por uma equipe, muitos desses “torcedores profissionais” viajam o ano inteiro, acompanhando os seus times, sem nunca divulgar quem está por trás dessas viagens, quem está pagando a conta.

Há muito se comenta que, além do que é arrecadado entre os torcedores, os próprios diretores de clubes bancam a mordomia desses grupos, muitas vezes recheados de vândalos, ou mesmo gente da pior espécie.

Sei que muitos dirão que a violência é típica do ser humano. Será? E ficamos, ainda com outra pergunta: se é típica, por que ela predomina apenas em determinados setores, em alguns recintos, em determinadas camadas da sociedade?

Não é o fato de a tragédia ter ocorrido no exterior que nos isenta de culpa. Pelo contrário. Precisamos tomar providências, imediatamente. E a primeira delas é exigir punição para os culpados, não porque pretendemos punir a equipe, mas para que novos fatos não se repitam. E se o clube for punido, nada mais justo, porque serviria de exemplo para evitarmos novas tragédias.

Qualquer pessoa de bom senso quer que a violência desapareça, principalmente dos estádios de futebol. Devemos nos livrar da falácia que é o tal “conceito de nação”, usado para justificar a paixão ou mesmo o fanatismo de alguns por este ou aquele clube. Motivados pelo tal conceito, hordas de imbecis desprezam os mais elementares princípios de direito, e não hesitam em praticar as suas barbaridades, geralmente no anonimato.

Se defendem uma “nação”, de qualquer que seja a bandeira, eles precisam saber que existem direitos e deveres. E que a sociedade não pode ficar refém desse tipo de postura.

Deputado estadual (PPS), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informação, ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, economista e agente fiscal de rendas aposentado. Acesse: www.vitorsapienza.com.br