Sem incentivo à alfabetização, o Brasil não terá futuro

Reconhecidamente, a educação é a base dos países desenvolvidos e a mola propulsora para que eles apresentem um elevado nível de qualidade de vida para a sua população. E tudo começa pela alfabetização, que, em síntese, consiste no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação. De um modo mais abrangente, a alfabetização é definida como um processo no qual o indivíduo constrói a gramática e suas variações. Esse processo não se resume apenas na aquisição dessas habilidades mecânicas (codificação e decodificação) do ato de ler, mas na capacidade de interpretar, compreender, criticar, resignificar e produzir conhecimento. Todas essas capacidades citadas anteriormente só serão concretizadas se os alunos tiverem acesso a todos os tipos de textos. O aluno precisa encontrar os usos sociais da leitura e da escrita. A alfabetização envolve também o desenvolvimento de novas formas de compreensão e uso da linguagem de uma maneira geral. A alfabetização de um indivíduo promove sua socialização, já que possibilita o estabelecimento de novos tipos de trocas simbólicas com outros indivíduos, acesso a bens culturais e a facilidades oferecidas pelas instituições sociais. A alfabetização é um fator propulsor do exercício consciente da cidadania e do desenvolvimento da sociedade como um todo. Mas o Brasil, conforme números divulgados pela ONU, fica devendo muito a este aspecto e mesmo no cenário da América Latina é um dos países que ainda apresenta o maior número de analfabetos. Já era tempo de se tomar um providência e a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 586, do chamado Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, com incentivos para a alfabetização das crianças nas escolas públicas até os oito anos de idade. Entre os incentivos previstos no projeto, estão a oferta de cursos de capacitação para professores, o pagamento de bolsas de valor ainda a ser definido para os docentes que participarem de atividades didáticas e a distribuição de prêmios em dinheiro para escolas e professores que fizerem avanços na área. A medida provisória prevê a realização de um exame nacional ao final da terceira série do Ensino Fundamental para avaliar o desempenho dos alunos. Pelo texto da proposta, o Governo federal destinará recursos aos Estados e aos municípios por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), para investir na formação continuada de professores alfabetizadores dos três primeiros anos do Ensino Fundamental. Para isso, o governo deve liberar em torno de R$ 2,5 bilhões até 2014. Neste ano, a proposta é aplicar R$ 1,1 bilhão no programa. Nossa expectativa é de que estes esforços realmente deem resultados e que os investimentos sejam realmente aplicados para os fins aos quais serão destinados, sem desvios de verbas em função da corrupção. Afinal, sem incentivo à alfabetizção o Brasil não terá futuro.

Diretor-responsável do jornal Semanário da Zona Norte