Afinal, para quê universidade?

Cabe à universidade a função de produzir conhecimento novo – pesquisa. Isso é condição sine qua non para que a universidade seja chamada de “universidade”. Mas sua função não se restringe a produzir conhecimento novo. Espera-se que também transmita esse conhecimento novo através de um ensino de excelência e, mais, que estenda o conhecimento produzido à comunidade – extensão-, perguntando sempre pela ética da pesquisa que desenvolve, pelo ensino que oferece e pelo atendimento às necessidades da comunidade.

Existem outras 5 modalidades de instituição de ensino superior que não têm esse compromisso. De muitas delas – da maioria – se exige apenas que responda por um ensino de excelência. Temos inúmeras IES – Instituições de Ensino Superior-de excelência e que não têm interesse nenhum em ser universidade. Fazer pesquisa tem um custo alto. Acontece que colocar pesadamente recursos materiais e humanos em pesquisa não é gasto, é investimento. A China e a Índia que o digam. São incontáveis as IES que são verdadeiras fábricas de diploma, pois tomam a cultura como mera mercadoria. O lastimável disso é que findo o curso “superior” o formando, em geral, das classes C e D não está qualificado para exercer a atividade profissional que supostamente foi preparado. Daí a proliferação das “universidades” corporativas“ e do mestrado profissional. Daí a proliferação dos cursos de especialização.

Para produzir conhecimento novo temos de preparar pesquisadores. Um pesquisador não pode ser formado em alguns meses. Três condições são fundamentais para o pesquisador-professor: 1-amar o que faz. Não basta gostar. As infinitas horas que irá dispensar à sua atividade só não se transforma em sacrifício se ele amar o que faz. Aliás, nem precisa dessa informação, mas vamos lá. Quando fazemos alguma coisa que adoramos, o tempo flui. (flow). Uso a expressão inglesa, pois é “moda” em psicologia positiva (rs); .2-motivaçao – saber que o objeto de estudo e pesquisa ao qual se dedica é relevante, pode alterar o andar da carruagem histórica, saber que naquilo que devota infinitas horas de dedicação servirá à humanidade e é altamente estimulante, é vitamina pura e, finalmente, 3-competência, ou seja, na área que atua, ser competente, ainda mais nos dias de hoje onde as informações estão disponíveis 24 horas por dia, é fundamental. Se me detivesse na mesma bibliografia de 50 anos atrás não avançaria minimamente na minha área. Entrar, via internet, e diretamente, quando possível, nas universidades de ponta e buscar contato com pesquisadores que exploram meu campo é fundamenta para que eu cresça. Isso implica em dispor de tempo e recursos financeiros e materiais. Fundamental é o apoio de todas as instituições, a começar da familia.

Isso tudo para dizer a todos o quanto me alegra, com o irrestrito apoio do Semanário da Zona Norte, trazer no meu novo espaço, exemplos de professores pesquisadores altamente comprometidos com a produção de conhecimento e que respaldam suas atividades com ética e profunda responsabilidade. Viva o mérito.

Daí o horror que me causa e a indignação que me toma, ver alguém ocupando um espaço de poder, com a caneta na mão sem ser minimamente qualificado. Haja QI (quem indica). A esse, apenas recomendo a humildade de se cercar de pessoas competentes e éticas.

Um abraço fraterno.

Sugestões de leitura

Os livros de Pierre Bourdieu, Boaventura dos Santos, Milton Santos, Paulo Freire, M. S. Cortella, Edgar Morin, Michel Mafesolli, I. Fazenda, Robert Darnton, M. Certeau, T. Adorno, O. Pombo, entre muitos outros.

Filmes

Django, O amante da rainha

Mestre e doutora em Psicologia Social, especialista em Liderança Universitária e Gestão de Pessoas